23 de Fevereiro, 2024

A experiência eternizada de um professor de geografia no Vale do Jaguaribe

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  • Leandro Cruz – artigo

Minha vida e paixão sempre foi por geografia, desde o momento que brotou em minha pessoa o apreço pela matéria, ainda na fase de estudante secundarista. Passei no vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC), no curso de geografia, e logo no começo que ingressei na faculdade comecei a dar aulas em cursinhos na capital cearense, em escolas do ensino médio em Fortaleza, e alguns municípios do interior do estado.    

E de certa feita, em 2009, junto com outro parceiro meu da época, a gente numa escola sediada no bairro São Cristovão, tivemos a ideia de desbravar o interior do estado, em especial a cidade de Aracati, em buscar o Ceará na valorização que temos da cultura, da economia, com a ideia de esmiuçar mais este município. Eu já tinha conhecido ela nos carnavais, só que pensei em desenvolver esta proposta começando por Aquiraz, a economia daquela região durante o século XIX no Ceará, e dali se projetou o roteiro em Aracati.

Roteiro este que despertasse no aluno a curiosidade, e assim ao sair da escola um olhar geográfico, na observação dos impactos que o homem provoca na natureza. Inicialmente fizemos um caminho parando nos engenhos, entendendo como a economia da canavieira irá pautar o desenvolvimento econômico, e estrutural daquela região.

E lá passamos por Canoa Quebrada, na Broadway, a gente almoçava numa barraquinha, e no final da tarde lá mesmo na Broadway tem uma estátua do Dragão do Mar, ponto apoteótico da aula, neste momento os alunos ficam de pé perante a estátua, e ficamos em cima do monumento, começando a dissecar da representatividade da Abolição, do Chico da Matilde, e falando também sobre a importância da expansão urbana por cima das dunas de barros de Canoa Quebrada, os impactos antrópicos, a urbanização, o escoamento diferencial que a água faz na cidade. As mudanças nas feições que aquele turismo tão forte, tão rico, diverso, ali atua, e também os esportes radicais.

E eu tenho feito isso há 15 anos, alternando numa escola ou em outra, começando às 7h da manhã e indo até às 16h.  Já fui algumas vezes com amigos para explicar como se faz esse roteiro, cada um dominando sua área, mas mostrando onde parar, o que é interessante mostrar, qual o caminho para almoçar, qual a melhor estratégia para os meninos brincarem, interagirem com os casarões, a casa de Adolfo Caminha, o museu da cólera – Jaguaribano – uma aula no púlpito da Igreja Matriz, tudo isso é muito rico.

Cheguei com escolas de poder aquisito melhor, os levava pra barracas requintadas de Canoa, mas sempre mostrando pra eles como o turismo é uma atividade socialmente mais justa, ganha o rico, ganha o pobre. Mas também traz suas mazelas sociais como prostituição, violência e bastante impacto ambiental.

Então acho de grande valia o conhecimento do litoral leste, o Aracati, a aula em campo principalmente na foz, em compreender as mudanças e feições que as vegetações provocam. E os estudantes se encantam com o engenho, com os casarões antigos, os azulejos portugueses, com a receptividade do povo.

Tenho outros roteiros também, já direcionado para o litoral oeste, o Maciço do Baturité, Quixadá, Juazeiro do Norte, mas Aracati é mais acessível pra escolas de ambos aspectos econômicos. Muito interessante, reitero, uma estrada que está beirando a perfeição, que vale a pena a gente organizar, levar excursões com jovens, com pessoas idosas também, que tem estrutura sim.

É uma satisfação para mim como professor ter no meu estado tantas opções bacanas, mas ter também o Vale do Jaguaribe, ter Aracati, essa cidade tão linda pra levar meus alunos, e também quando eu puder ir pessoalmente contemplar o carneiro cozido de lá que pra mim, é o melhor do Ceará.