23 de Fevereiro, 2024

“Um ator olhar para você num palco de teatro faz sua espinha estremecer”, revela diretor teatral

Foto: Victor Augusto

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Nesta entrevista concedida para o Diário Vale Ceará, o estreante diretor cearense em teatro, Pedro Henrique, faz um panorama de sua recente carreira no segmento, onde a base se originou no cinema, mas que depois enveredou nas artes cênicas. Pedro estreia O Deus Selvagem, na capital cearense, em apresentação única no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, neste sábado (29/04), para maiores informações acesse o Instagram: @mardefoguririnha. Confira o bate – papo;  

– Como foi o processo criativo de criação de O Deus Selvagem?

Eu trabalho com cinema nas áreas de direção, montagem e som e com teatro em funções técnicas como sonoplastia e videomapping. Desde sempre eu li muito e vi muitos filmes e espetáculos, mas foi durante a pandemia que comecei a escrever e passei a escrever de tudo. Qualquer coisa. E em um momento eu escrevi algo que depois analisei e pensei “isso é um texto de teatro”. 

A partir daí comecei a criar coragem para me aventurar no teatro como diretor, convidei amigos e amigas para participar e ir descobrindo esse texto que inicialmente parecia falar sobre depressão e suicídio, mas que no processo acabamos descobrindo outros caminhos para ele como liberdade e fracasso. 

Acredito que O Deus Selvagem seja uma experimentação que une cinema, teatro e dança, já que convidei como preparadora a Gabrielle Dantas que é da área da dança e Amon, Kaye e Bruna, atores experientes do teatro. 

O processo foi correndo com muitas conversas, descobertas e aprendizados onde trabalhávamos o corpo e tínhamos às vezes a orientação do amigo, ator e dramaturgo Marcos Paulo. Ao longo do processo convidamos a produtora Mar de Fogueirinha para nos ajudar também, o que foi de extrema relevância.

– De que forma você define o sucesso de um projeto de teatro e quais são seus objetivos quando produz uma peça?

Acredito que o sucesso de um espetáculo de teatro vem muito do que os criadores desejam. Por exemplo, ao falar sobre o fracasso, eu acredito que estou falando na liberdade de poder arriscar, errar e aprender. De poder aceitar que nem sempre estou certo, que posso sempre fazer melhor. É difícil dizer os meus objetivos ao produzir um espetáculo de teatro já que esse é o primeiro em que fui proponente, mas no caso do Deus Selvagem, especialmente, o meu objetivo é construir relações, com a equipe, com os atores, com o público, provocar imagens e experimentar coisas e no final, aprender, descobrir o resultado.

 – Como você vê o futuro do teatro cearense e quais são suas esperanças para a indústria?

Eu não me considero oficialmente do meio teatral, mas trabalho com artistas do teatro há muito tempo e acho que um grande problema é o incentivo público. Editais que pagam muito pouco para um projeto teatro, enquanto o cinema recebe um fomento de 10 vezes mais. Mas o teatro é a arte do aqui e agora, do imprevisto, do acaso. Um ator pode olhar para você de dentro de uma tela de cinema e você pode se emocionar. Mas se um ator olha para você no palco do teatro, sua espinha vai estremecer.

– Quais são os próximos projetos em que você está trabalhando e o que os espectadores podem esperar deles?

Estou trabalhando em uma HQ que escrevi com o amigo e ator Lucas Galvino ilustrado pela incrível Ana Clara Mendes, estou com dois curtas-metragens sendo exibidos pelos festivais no Brasil, Kenzo ou o triunfo da auto desintegração e Apocalypses Repentinos, estou circulando com o espetáculo E.L.A de Jéssica Teixeira e pretendo também circular com O Deus Selvagem.