23 de Fevereiro, 2024

Recursos para avanços da Transnordestina ainda em negociação com o Governo Federal

Diretor presidente da concessionária responsável pela construção da Ferrovia: Tufi Daher

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Nesta entrevista concedida para o site Diário Vale Ceará, o diretor presidente da Transnordestina Logística, Tufi Daher, afirma que ainda está em negociação com o Governo Federal verbas prioritárias para aplicação na ampliação de trechos da ferrovia no ramal Ceará – Piauí.  

Tufi, em qual situação se encontra o ramal Ceará – Piauí em termos de extensão e obras executadas? E o que tem de evolução até então?

Já estão totalmente concluídos 815 km de ferrovia (dos quais 190 entre Salgueiro e Custódia, em Pernambuco), sendo que 215 km foram executados em 2022. Estamos em negociação com o Governo Federal para a liberação de R$ 1 bilhão dos fundos constitucionais FDNE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste) e FINOR (Fundo de Investimentos do Nordeste). A entrada dos recursos possibilitará: a conclusão de mais de 100 km de ferrovia em 2023, nos lotes MVP02 e MVP03 entre as cidades de Lavras da Mangabeira e Acopiara (estes lotes hoje estão em obras de infraestrutura); e a contratação inicial de obras de infraestrutura em quatro lotes: MVP04 a MVP07.

Portanto, as obras vem sendo bancadas exclusivamente pelo acionista CSN.

No Ceará, há 136 km totalmente executados, além destes 100 km citados acima que devem ser concluídos até o final de 2023. O trecho do Ceará, que fará a conexão do Piauí com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, é o foco da fase 1 do projeto. Verificar o mapa abaixo.

No ramal cearense, os trabalhos estão sendo efetuados pela empresa Marquise. Após o término do trecho piauiense, a Construtora daquele município será remanejada para acelerar as obras no lado do território cearense, há essa viabilidade?   

O projeto está estruturado em duas fases, como visto no mapa abaixo. Dentro da fase 1 o trecho do Piauí está totalmente concluído. O foco da Fase 1 agora é acelerar o trecho do Ceará, para chegada ao Porto do Pecém até 2027. Já estão em contratação os lotes de 4 a 7 (obras de infraestrutura), dependendo da liberação dos recursos.

O que o sr. avalia acerca da mobilização política dos dois governadores, do Ceará e Piauí, estarem engajados e agindo mutuamente e em consonância com o Governo Federal para finalizar as obras?

 A atuação dos governadores Elmano de Freitas e Rafael Fonteles tem sido imprescindível para mostrar a opinião pública a importância desta ferrovia para o Nordeste e o Brasil. Eles têm sido parceiros fundamentais nesta empreitada, assim como o Governo Federal.

Recentemente a liderança dos dois governadores resultou na mobilização da totalidade das bancadas dois estados no Senado e na Câmara para apoio incondicional à continuidade das obras.

Não há dúvidas sobre o papel da Transnordestina como alavanca de desenvolvimento e indutor de negócios em toda a sua região de influência. É uma obra que interessa a todos, pelo potencial de desenvolvimento e pela quantidade de empregos gerados. Hoje as obras geram dois mil empregos. Com a aceleração rumo a Pecém, vamos gerar mais três mil postos de trabalho.  

Inserido na conexão, a região de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Paraíba) tendo como epicentro o município de Eliseu Martins, no Piauí, e a interligação que a ferrovia fará com o Complexo do Pecém, no Ceará. O Complexo contando com a primeira zona de processamento de exportações do país, considerada referência. Além disso, no Complexo se divulga que está em andamento a construção de um Terminal de Uso Privado para a conexão e integração com a Ferrovia. Nesta conjuntura, o que a concessionária prevê de escoamento de produção e lucratividade num futuro?

A Transnordestina é uma importante e fundamental alternativa logística para o Nordeste e para o Brasil. A ferrovia representará um novo marco no escoamento de produtos da região do MATOPIBA, diminuindo o custo logístico e tornando os produtos brasileiros competitivos no mercado mundial.

No momento estamos finalizando a atualização do estudo de mercado, elaborado por uma consultoria contratada, que vai apresentar o panorama atual das cargas potenciais. Já sabemos que o mercado de grãos vai ser o principal foco da Transnordestina.  Mas há potencial em fertilizantes, cimento, combustíveis, minério, etc. O acesso ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) é fundamental para o funcionamento desta cadeia. O TUP NELOG, Terminal de Uso Privado da CSN no CIPP já possui a Licença Prévia, que certifica a viabilidade socioambiental do projeto.