22 de Abril, 2024

A história do lindo castelo derrubado na capital cearense

Castelo do Plácido. Foto: Nelson Bezerra

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Monumento suntuoso, obra arquitetônica de apreciação estética singular, a história do Castelo do Plácido construído em 1921, constitui “partituras” que simbolizam a memória afetiva do patrimônio imaterial da capital cearense, já que o equipamento foi derrubado no ano de 1974, para que em seu lugar fosse erguido um supermercado.

O enredo dessa história está narrada no livro “Castelo do Plácido – Apogeu e Destruição, 50 anos depois”, escrito e organizado pelo jornalista Eliézer Rodrigues. Em entrevista concedida para a rádio O Povo/CBN, Eliézer afirma que a culpa pela derrocada da edificação não se atribui apenas ao grupo – Romcy – que comprou o terreno e demoliu o castelo, mas principalmente, segundo o escritor, à negligência de Lúcio Costa, diretor em 1937, no âmbito federal, da Divisão de Estudos e Tombamentos do Patrimônio Histórico e Artísticos do órgão que regulamentava o segmento naquele período.

“Porque à época no Brasil, existia a tendência Modernista, nos anos 1920, inclusive com a criação do IPHAN, os arquitetos eles não se interessavam pelo antigo, pelo estilo eclético, que é a junção de tendências do século XIX, então tudo era o modernismo, mesmo o “IPHAN” tendo sido criado em 1937, e tem lá no estatuto do orgão, a preservação de bens históricos, mas só que os arquitetos comandados pelo Lúcio Costa, ele não se interessou. Então teve uma omissão muito grande pelas autoridades, do governo estadual também que não comprou, da imprensa cearense também. Se o “IPHAN” tivesse lá atrás, em 1938, tombado o Castelo serviria como exemplo, mas como as autoridades não tombaram, a sociedade foi no mesmo caminho”, relatou o escritor na entrevista radiofônica.     

O início da saga do Castelo do Plácido está diretamente relacionado com a jornada do próprio mentor do projeto, o comerciante cearense Plácido Barbosa de Carvalho, que conforme suas próprias aspirações, resolveu investir na empreitada. Plácido nasceu em 1873 e durante a trajetória de vida foi galgando riqueza e prestígio na alta estirpe da sociedade alencarina. Além do Castelo do Plácido, o burquês foi responsável pela construção de um imponente cine teatro em Fortaleza, e também do primeiro arranha – céu (sete andares) da cidade, o Excelsior Hotel.

O talento nos negócios foi a base para Plácido se firmar no circuito comercial de Fortaleza, que segundo consta na obra de Eliézer, para a solidificação econômica do empreendedor é que Plácido se articulava com a administração estadual para garantia de isenção fiscal durante a vigência da gestão do governador José Moreira da Rocha (1924 a 1928). Mas a ascensão do mercador se estabeleceu com a Casa Plácido fundada por Carvalho em 1899, estabelecimento localizado no Centro de Fortaleza, que além de outras atribuições revendia produtos da Europa.  

E é nesse contexto que Plácido periodicamente viaja para a França, e conhece em Paris, por volta de 1909, a italiana Maria Pierina Rossi, gerente do Café Riche, recinto frequentado por Plácido. Posteriormente, Pierina entrelaça a amizade com o cearense e assume os negócios de Plácido na França. Neste ínterim, a amizade se transforma em relacionamento amoroso, até que em 1917, Pierina se transfere para o Brasil. A partir de então surge a “lenda urbana”, onde enfatiza que há uma correlação da vinda da italiana conectada com a promessa de Plácido de construir o Castelo.

O fato é que, de acordo com o artigo publicado na obra “Castelo do Plácido – apogeu e destruição – 50 anos depois”, se evidencia com uma crônica do memorialista Marciano Lopes que havia indícios que Pierina deixara a Europa em razão da deflagração da 1ª Guerra Mundial (1914 – 1917).

Serviço:

Lançamento: Livro “Castelo do Plácido – apogeu e destruição – 50 anos depois”; Eliézer Rodrigues, no Passeio Público, Centro de Fortaleza. Neste sábado (24), às 11h.

Para adquirir o exemplar via whatsapp: (85) 9992-1099              

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